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Ronnie Lessa diz que matou Marielle por promessa de chefiar nova milícia no Rio

Ronnie Lessa diz que matou Marielle por promessa de chefiar nova milícia no Rio

27/05/2024 08h52
Por: Redação

Após invadir ou tomar a tiros uma comunidade no Rio de Janeiro, as milícias se utilizam de uma série de serviços para “legalizar” terrenos a fim de evitar problemas com moradores e proprietários.

Na delação homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes“ensinou” como paramilitares agem quando ampliam o território.

O Fantástico deste domingo (26) trouxe com exclusividade detalhes da delação de Ronnie Lessa. Foi a 1ª vez que Lessa admitiu ter praticado o crime que resultou na morte de Marielle e Gomes. Em 2 horas de depoimento gravado, Lessa fala quem são os mandantes, o que receberia pelo crime e o destino da arma usada em 14 de março de 2018.

Topografia

 

Lessa contou que um topógrafo realiza serviços para qualquer grupo de milicianos. Cabe a esse profissional checar se o terreno é estável, se passa água embaixo e se há risco de deslizamento. Também indica onde cavar as estacas de um imóvel, providencia nivelamentos e calcula muros de contenção.

De acordo com Ronnie, o homem a quem chama apenas de Belém no depoimento tem uma empresa legal de topografia e que, entre os clientes, estão criminosos.

Ele trabalha para todas as milícias. Gardênia é área de milícias ali de Jacarepaguá. Ele pode fazer um trabalho para mim lá em Angra, como pode fazer para uma empresa”, contou Lessa em um dos pontos da delação.

Nas investigações, a Polícia Federal (PF) conseguiu identificar Anderson Pereira Belém como o topógrafo que realizou os serviços praticados para Lessa. Belém não foi indiciado pela PF nem denunciado pelo Ministério Público.

“Ele sempre trabalhou para a milícia. Todos os milicianos ali que queriam fazer um loteamento, era com o Belém. Porque, na verdade, ele era um profissional, ele vai trabalhar para todo ... pra qualquer um. Qualquer pessoa que chamar ele vai fazer, ele vai dar a planta lá, ele vai ... faz aquele ... aquele, as plantas que são. O projeto em si né? E entrega. A empresa dele é legal. Ele é um profissional liberal. Então ele faz rindo ... por quê? Porque ele tá ganhando o dinheiro dele e não quer saber pra quem tá fazendo. Ele quer fazer”, contou.

 

No relatório, encaminhado ao STF, os investigadores descobriram que Lessa soube por Belém que o deputado federal Chiquinho Brazão estava convocando pessoas para uma audiência pública sobre regularização de condomínios irregulares e loteamentos no Rio de Janeiro.

g1 tenta contato com Belém para que ele possa esclarecer sobre esse serviço para Lessa.

 
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